Dizer que a “escola prepara para a vida” é afirmação comum e por todos aceite. Parece-nos também que, mais ou menos consciente, este princípio está presente na mente de todos os professores. Contudo, uma constatação existe: nem sempre acontece de forma adequada.
Assumir, assim, que a Escola é uma instituição da sociedade e orientada para a sociedade, exige algum pragmatismo. Ela deve preparar o aluno para os desafios que essa sociedade constantemente coloca. Pensar ou definir uma Escola cujos fins e objectivos se fecham em si própria, colocando-se fora dos interesses sociais é minar por completo os seus fundamentos.
Os artigos estudados sobre a competência permitiram abrir um caminho para o esclarecimento das minhas dúvidas e de algumas frustrações próprias de um professor que pretende o melhor para os seus alunos.
A minha visão primária e simplista do ensino teve a haver com o conceito de transferência de conhecimentos, mas de uma maneira bastante errónea. O ensino resumia-se a uma mera passagem de conhecimentos do professor ao aluno. Ou seja, em nada mais consistia do que numa mera comunicação pressupondo uma compreensão/assimilação por parte do aluno. O trabalho do professor consistia em transmitir saberes, competindo ao aluno a sua apreensão. Esta visão leva inevitavelmente a processos de ensino/aprendizagem estritamente directivos e pouco motivadores. A avaliação não passa de uma forma de constatar que houve passagem dos saberes do professor para o aluno ou que o aluno conseguiu consolidar, através do estudo, os conteúdos apresentados.
Felizmente esta concepção não é aceite pela quase totalidade dos professores. Mas todos sabemos que, por condicionalismos diversos e alguma resistência à mudança, a prática anda muitas vezes próxima desta visão.
A Escola tem um papel altamente socializante e que a ideia de uma escola virada para um ensino assente apenas no conhecimento abstracto é inútil e sem sentido. Mesmo para os cursos denominados por “prosseguimentos de estudos”.
Todavia, devo declarar que o método de ensino que muitas vezes aplicamos ainda esbarra na primeira visão, até porque alguns alunos e Pais tem muita dificuldade em perceber um ensino orientado para as competências. Percebemos que é necessário contextualizar e experienciar os conhecimentos adquiridos. Contudo, fazemo-lo normalmente em duas fases distintas: primeiro fornecemos os saberes teóricos, depois fornecemos problemas deslocados dos planos sociais e dos interesses dos alunos. Embora a pensar no aluno, tudo é pensado pelo professor e para o professor. Ou seja, as situações práticas para concretização/exemplificação estão mais adaptadas às vivências do professor.
Na realidade, podemos dizer que, independentemente do posicionamento que assumimos no ensino, o mesmo desemboca sempre no conceito de competência, mesmo que entendido no sentido comum como a aplicação eficaz, em situação de aula, dos conhecimentos cognitivos adquiridos.
Esta pequena reflexão que este documento representa é, sem dúvida, um contributo e um precioso auxílio para desenvolver uma nova estratégia de ensino que procuro nos últimos anos. A frustração que nós professores enfrentamos, pelo facto de as aprendizagens não terem sido conseguidas, leva-nos a arranjar justificações que, na maior parte das vezes, culpabilizam os alunos, os pais, a escola e o próprio sistema de ensino. O esforço investido por muitos professores num ensino de qualidade, não sendo compensado com resultados desejados, desloca a análise para outros campos. A análise é inadequada porque, na verdade o que o professor deve fazer é colocar-se no papel do aluno para perceber o porquê dos maus resultados Ou seja, é muito importante saber como se desenvolvem e aperfeiçoam as competências do aluno.
A noção da competência, entendida como uma mobilização de recursos, permite repensar a minha estratégia como professor. Primeiro, há que ter em conta que os recursos mobilizados são diversos, podendo ser de ordem interna ou externa; segundo, o conhecimento implica mobilização, que conjuga um conjunto de operações mentais complexas e outros recursos em situações concretas; terceiro, esta mobilização tem o poder de transformar o conhecimento e de construir novos conhecimentos; quarto, a mobilização só o é se constituir uma actividade real do aluno.
Percebe-se, assim, que a competência no aluno só se desenvolve se este for o agente activo no processo de aprendizagem. Isto é, o trabalho principal centra-se no aluno. Contudo, os professores continuam a ter um papel fundamental: ajudá-lo e orientá-lo na mobilização dos recursos disponíveis e na construção de novos saberes. É aqui que porventura reside a nossa maior dificuldade. É necessário que o professor se torne o agente orientador, aquele que aponta o caminho. Na realidade, o verdadeiro crescimento intelectual e pessoal do aluno só se concretiza se o mesmo investir e mobilizar o melhor de si.
Em suma, o papel do professor não se esvazia. Pelo contrário, o professor é crucial no processo de desenvolvimento de competências. A sua grande missão consiste na criação de cenários, o mais possível próximo da realidade, de forma a possibilitar, aos alunos, o desenvolvimento de processos de descontextualização e recontextualização geradores de novas competências. Esta reflexão é, porventura, mais complexa do que um mero debitar de conteúdos. Talvez por isso poucos de nós o apliquem constantemente.
Esta nova visão do ensino, centrada na noção de competência, vem colocar questões na forma como se podem desenvolver, na prática, as competências do aluno.
Percebe-se claramente que um ensino directivo, centrado no professor, não resulta. Felizmente os textos estudados apontam um novo caminho. É necessário investir no ensino assente em projectos e/ou na resolução de problemas concretos. É neste âmbito que é possível criar cenários que permitam a mobilização de recursos por parte dos alunos.
Por outro lado, a avaliação tradicional por testes deixa de ter qualquer sentido. Outros tipos de avaliação terão de ser adoptados. São, sem dúvida, excelentes os métodos apontados pelos textos estudados: a avaliação interactiva, a avaliação mútua, a co-avaliação e a auto-avaliação - que envolvem os alunos e revestem também um aspecto formativo - e a adopção dos portfólios. Estes revelam-se um excelente instrumento, uma vez que apelam à mobilização, à aplicação, a resolução de problemas, bem como a auto-regulação através da avaliação que o aluno vai fazendo enquanto efectua as suas produções. Mesmo, neste ponto o papel do professor é importante. Compete-lhe a produção de instrumentos de avaliação que permitam ao aluno construir sucessivamente processos de auto-regulação e metaconhecimentos mais englobantes e gerais.
Ainda dentro deste âmbito, o professor não deve dispensar a criação de situações que permitam medir as competências do aluno ao longo do tempo. É necessário, no decurso do processo de aprendizagem, criar cenários que fomentem o desempenho através da pesquisa/investigação e de actividades práticas e experimentais onde os alunos possam desenvolver as suas competências.
Por fim, posso assegurar que este método pressupõe, queiramos ou não, que o aluno adquira e seja treinado desde o início para a autonomia. Parece-me um pilar de base desta visão do ensino que pretendo assumir definitivamente. Na verdade, um aluno será mais competente quanto maior for a sua autonomia. Assim, o desenvolvimento da autonomia no aluno é um aspecto central a que o professor deve dar especial atenção.
Deve-se reflectir sobre algumas condições, ao nível do sistema educativo, que permitiriam o sucesso de um ensino direccionado para as competências. A reflexão aqui apresentada tem por base dois artigos publicados no site http://www.netprof.pt/ intitulados “Explicações para o primeiro lugar mundial da Finlândia” e “Competição incentiva alunos coreanos a serem os melhores”. Embora não conhecendo em profundidade o programa PISA, parece que as provas aplicadas assentam na avaliação das competências dos alunos nas áreas literária, matemática e científica.
Tendo em conta os últimos resultados e as considerações sobre os sistemas de ensino Finlandês e Coreano, podemos retirar algumas notas interessantes. Em primeiro lugar, podemos perceber que o sistema educativo a adoptar por um país deve, entre muitos aspectos, ter em conta o sistema político, as características e tradições e o contexto social de um povo. Os dois artigos mostram como dois povos, com filosofias e visões diferentes da educação, atingem os melhores resultados do estudo.
Analisemos o primeiro artigo para perceber, como o ensino finlandês (designemo-lo como democrático) pressupõe algumas características importantes que fazem dele um sistema de sucesso:
1. O número de tempos lectivos (aulas) é reduzido, compreendendo, normalmente, uma manhã. O restante tempo é utilizado em actividades na escola ou na área de residência. Esta medida promove inevitavelmente a autonomia;
2. Existe um bom sistema de bibliotecas municipais que trabalham em parceria com a escola;
3. O corpo docente é estável, sendo recrutado pelas próprias escolas;
4. 70% do currículo é definido pelo Ministério de Educação e o restante é organizado pela escola conjuntamente com os pais e alunos. Existe, assim, muito envolvimento dos pais na educação dos filhos. Mesmo relativamente ao currículo definido pelo Ministério da Educação, os professores têm plena liberdade de desenvolver o seu trabalho, respeitando as directivas definidas;
5. Existe uma relação de confiança entre professores e alunos, permitindo, assim, criar um bom ambiente em sala de aula propício à motivação.
6. Os alunos com dificuldades são encaminhados para estruturas de apoio (aulas extra, ensino especial). Existem escolas que criam turmas especiais, com docentes vocacionados para o ensino especial, onde são tratados casos de indisciplina.
Por outro lado, é interessante verificar como um sistema mais autocrático e competitivo consegue igualmente excelentes resultados. Vejamos, então, que características são apresentadas pelo segundo artigo relativamente ao sistema coreano:
1. O número de horas passadas na sala de aula ronda as dez horas diárias (entre a escola e institutos particulares). Existem muitas actividades de apoio ao ensino.
2. A maior parte das actividades extracurriculares estão orientadas para aumentar a competitividade. Por exemplo, as explicações são entendidas como uma forma de aumentar a competitividade. Desde cedo, existem incentivos através de bolsas de estudo e as principais indústrias e empresas procuram os melhores alunos, mesmo antes de terminarem os cursos superiores.
3. Existem nove anos de escolaridade obrigatória. Como forma de cativar os melhores alunos, as universidades analisam os resultados dos alunos no secundário. A avaliação de ingresso ao ensino superior é realizada pelas próprias universidades;
4. Os alunos respeitam os professores não havendo problemas de indisciplina. Existe uma disciplina rígida e penalizadora.
5. A competição é incentivada colectivamente. É frequente um aluno ficar responsável por outro aluno com fraco desempenho, podendo o primeiro ser prejudicado nas suas classificações, caso se verifique o insucesso do colega.
Em resumo, podemos concluir que os dois sistemas de ensino estão direccionados para um ensino orientado por competências, na medida em que incentivam e treinam o aluno a mobilizar os seus recursos, embora com métodos diferentes.
Não pretendendo realçar as fragilidades do nosso sistema, não será descabida esta breve análise destes dois artigos. Assim, será possível darmo-nos conta que, com os nossos recursos e currículos, é possível orientar a nossa prática pedagógica para o desenvolvimento de competências. Mais pertinente se torna quando se é professor nas áreas técnicas ITIC, TIC e Aplicações Informáticas B, como é o meu caso.
Assumir, assim, que a Escola é uma instituição da sociedade e orientada para a sociedade, exige algum pragmatismo. Ela deve preparar o aluno para os desafios que essa sociedade constantemente coloca. Pensar ou definir uma Escola cujos fins e objectivos se fecham em si própria, colocando-se fora dos interesses sociais é minar por completo os seus fundamentos.
Os artigos estudados sobre a competência permitiram abrir um caminho para o esclarecimento das minhas dúvidas e de algumas frustrações próprias de um professor que pretende o melhor para os seus alunos.
A minha visão primária e simplista do ensino teve a haver com o conceito de transferência de conhecimentos, mas de uma maneira bastante errónea. O ensino resumia-se a uma mera passagem de conhecimentos do professor ao aluno. Ou seja, em nada mais consistia do que numa mera comunicação pressupondo uma compreensão/assimilação por parte do aluno. O trabalho do professor consistia em transmitir saberes, competindo ao aluno a sua apreensão. Esta visão leva inevitavelmente a processos de ensino/aprendizagem estritamente directivos e pouco motivadores. A avaliação não passa de uma forma de constatar que houve passagem dos saberes do professor para o aluno ou que o aluno conseguiu consolidar, através do estudo, os conteúdos apresentados.
Felizmente esta concepção não é aceite pela quase totalidade dos professores. Mas todos sabemos que, por condicionalismos diversos e alguma resistência à mudança, a prática anda muitas vezes próxima desta visão.
A Escola tem um papel altamente socializante e que a ideia de uma escola virada para um ensino assente apenas no conhecimento abstracto é inútil e sem sentido. Mesmo para os cursos denominados por “prosseguimentos de estudos”.
Todavia, devo declarar que o método de ensino que muitas vezes aplicamos ainda esbarra na primeira visão, até porque alguns alunos e Pais tem muita dificuldade em perceber um ensino orientado para as competências. Percebemos que é necessário contextualizar e experienciar os conhecimentos adquiridos. Contudo, fazemo-lo normalmente em duas fases distintas: primeiro fornecemos os saberes teóricos, depois fornecemos problemas deslocados dos planos sociais e dos interesses dos alunos. Embora a pensar no aluno, tudo é pensado pelo professor e para o professor. Ou seja, as situações práticas para concretização/exemplificação estão mais adaptadas às vivências do professor.
Na realidade, podemos dizer que, independentemente do posicionamento que assumimos no ensino, o mesmo desemboca sempre no conceito de competência, mesmo que entendido no sentido comum como a aplicação eficaz, em situação de aula, dos conhecimentos cognitivos adquiridos.
Esta pequena reflexão que este documento representa é, sem dúvida, um contributo e um precioso auxílio para desenvolver uma nova estratégia de ensino que procuro nos últimos anos. A frustração que nós professores enfrentamos, pelo facto de as aprendizagens não terem sido conseguidas, leva-nos a arranjar justificações que, na maior parte das vezes, culpabilizam os alunos, os pais, a escola e o próprio sistema de ensino. O esforço investido por muitos professores num ensino de qualidade, não sendo compensado com resultados desejados, desloca a análise para outros campos. A análise é inadequada porque, na verdade o que o professor deve fazer é colocar-se no papel do aluno para perceber o porquê dos maus resultados Ou seja, é muito importante saber como se desenvolvem e aperfeiçoam as competências do aluno.
A noção da competência, entendida como uma mobilização de recursos, permite repensar a minha estratégia como professor. Primeiro, há que ter em conta que os recursos mobilizados são diversos, podendo ser de ordem interna ou externa; segundo, o conhecimento implica mobilização, que conjuga um conjunto de operações mentais complexas e outros recursos em situações concretas; terceiro, esta mobilização tem o poder de transformar o conhecimento e de construir novos conhecimentos; quarto, a mobilização só o é se constituir uma actividade real do aluno.
Percebe-se, assim, que a competência no aluno só se desenvolve se este for o agente activo no processo de aprendizagem. Isto é, o trabalho principal centra-se no aluno. Contudo, os professores continuam a ter um papel fundamental: ajudá-lo e orientá-lo na mobilização dos recursos disponíveis e na construção de novos saberes. É aqui que porventura reside a nossa maior dificuldade. É necessário que o professor se torne o agente orientador, aquele que aponta o caminho. Na realidade, o verdadeiro crescimento intelectual e pessoal do aluno só se concretiza se o mesmo investir e mobilizar o melhor de si.
Em suma, o papel do professor não se esvazia. Pelo contrário, o professor é crucial no processo de desenvolvimento de competências. A sua grande missão consiste na criação de cenários, o mais possível próximo da realidade, de forma a possibilitar, aos alunos, o desenvolvimento de processos de descontextualização e recontextualização geradores de novas competências. Esta reflexão é, porventura, mais complexa do que um mero debitar de conteúdos. Talvez por isso poucos de nós o apliquem constantemente.
Esta nova visão do ensino, centrada na noção de competência, vem colocar questões na forma como se podem desenvolver, na prática, as competências do aluno.
Percebe-se claramente que um ensino directivo, centrado no professor, não resulta. Felizmente os textos estudados apontam um novo caminho. É necessário investir no ensino assente em projectos e/ou na resolução de problemas concretos. É neste âmbito que é possível criar cenários que permitam a mobilização de recursos por parte dos alunos.
Por outro lado, a avaliação tradicional por testes deixa de ter qualquer sentido. Outros tipos de avaliação terão de ser adoptados. São, sem dúvida, excelentes os métodos apontados pelos textos estudados: a avaliação interactiva, a avaliação mútua, a co-avaliação e a auto-avaliação - que envolvem os alunos e revestem também um aspecto formativo - e a adopção dos portfólios. Estes revelam-se um excelente instrumento, uma vez que apelam à mobilização, à aplicação, a resolução de problemas, bem como a auto-regulação através da avaliação que o aluno vai fazendo enquanto efectua as suas produções. Mesmo, neste ponto o papel do professor é importante. Compete-lhe a produção de instrumentos de avaliação que permitam ao aluno construir sucessivamente processos de auto-regulação e metaconhecimentos mais englobantes e gerais.
Ainda dentro deste âmbito, o professor não deve dispensar a criação de situações que permitam medir as competências do aluno ao longo do tempo. É necessário, no decurso do processo de aprendizagem, criar cenários que fomentem o desempenho através da pesquisa/investigação e de actividades práticas e experimentais onde os alunos possam desenvolver as suas competências.
Por fim, posso assegurar que este método pressupõe, queiramos ou não, que o aluno adquira e seja treinado desde o início para a autonomia. Parece-me um pilar de base desta visão do ensino que pretendo assumir definitivamente. Na verdade, um aluno será mais competente quanto maior for a sua autonomia. Assim, o desenvolvimento da autonomia no aluno é um aspecto central a que o professor deve dar especial atenção.
Deve-se reflectir sobre algumas condições, ao nível do sistema educativo, que permitiriam o sucesso de um ensino direccionado para as competências. A reflexão aqui apresentada tem por base dois artigos publicados no site http://www.netprof.pt/ intitulados “Explicações para o primeiro lugar mundial da Finlândia” e “Competição incentiva alunos coreanos a serem os melhores”. Embora não conhecendo em profundidade o programa PISA, parece que as provas aplicadas assentam na avaliação das competências dos alunos nas áreas literária, matemática e científica.
Tendo em conta os últimos resultados e as considerações sobre os sistemas de ensino Finlandês e Coreano, podemos retirar algumas notas interessantes. Em primeiro lugar, podemos perceber que o sistema educativo a adoptar por um país deve, entre muitos aspectos, ter em conta o sistema político, as características e tradições e o contexto social de um povo. Os dois artigos mostram como dois povos, com filosofias e visões diferentes da educação, atingem os melhores resultados do estudo.
Analisemos o primeiro artigo para perceber, como o ensino finlandês (designemo-lo como democrático) pressupõe algumas características importantes que fazem dele um sistema de sucesso:
1. O número de tempos lectivos (aulas) é reduzido, compreendendo, normalmente, uma manhã. O restante tempo é utilizado em actividades na escola ou na área de residência. Esta medida promove inevitavelmente a autonomia;
2. Existe um bom sistema de bibliotecas municipais que trabalham em parceria com a escola;
3. O corpo docente é estável, sendo recrutado pelas próprias escolas;
4. 70% do currículo é definido pelo Ministério de Educação e o restante é organizado pela escola conjuntamente com os pais e alunos. Existe, assim, muito envolvimento dos pais na educação dos filhos. Mesmo relativamente ao currículo definido pelo Ministério da Educação, os professores têm plena liberdade de desenvolver o seu trabalho, respeitando as directivas definidas;
5. Existe uma relação de confiança entre professores e alunos, permitindo, assim, criar um bom ambiente em sala de aula propício à motivação.
6. Os alunos com dificuldades são encaminhados para estruturas de apoio (aulas extra, ensino especial). Existem escolas que criam turmas especiais, com docentes vocacionados para o ensino especial, onde são tratados casos de indisciplina.
Por outro lado, é interessante verificar como um sistema mais autocrático e competitivo consegue igualmente excelentes resultados. Vejamos, então, que características são apresentadas pelo segundo artigo relativamente ao sistema coreano:
1. O número de horas passadas na sala de aula ronda as dez horas diárias (entre a escola e institutos particulares). Existem muitas actividades de apoio ao ensino.
2. A maior parte das actividades extracurriculares estão orientadas para aumentar a competitividade. Por exemplo, as explicações são entendidas como uma forma de aumentar a competitividade. Desde cedo, existem incentivos através de bolsas de estudo e as principais indústrias e empresas procuram os melhores alunos, mesmo antes de terminarem os cursos superiores.
3. Existem nove anos de escolaridade obrigatória. Como forma de cativar os melhores alunos, as universidades analisam os resultados dos alunos no secundário. A avaliação de ingresso ao ensino superior é realizada pelas próprias universidades;
4. Os alunos respeitam os professores não havendo problemas de indisciplina. Existe uma disciplina rígida e penalizadora.
5. A competição é incentivada colectivamente. É frequente um aluno ficar responsável por outro aluno com fraco desempenho, podendo o primeiro ser prejudicado nas suas classificações, caso se verifique o insucesso do colega.
Em resumo, podemos concluir que os dois sistemas de ensino estão direccionados para um ensino orientado por competências, na medida em que incentivam e treinam o aluno a mobilizar os seus recursos, embora com métodos diferentes.
Não pretendendo realçar as fragilidades do nosso sistema, não será descabida esta breve análise destes dois artigos. Assim, será possível darmo-nos conta que, com os nossos recursos e currículos, é possível orientar a nossa prática pedagógica para o desenvolvimento de competências. Mais pertinente se torna quando se é professor nas áreas técnicas ITIC, TIC e Aplicações Informáticas B, como é o meu caso.